Já imaginou que os 20 e Poucos Anos, além de um bom nome de música, é um período decisivo em nossas vidas? Leia o texto até o final que vou te explicar porque.

Quem me acompanha sabe que ano passado escrevi um livro sobre processos seletivos, chamado O Livro Negro dos Estágios. Humildemente, o considero o melhor conteúdo sobre processo seletivos disponível em português, afinal eu e o Peirol, que escreveu o livro comigo, conversamos com dezenas de empresas, profissionais de RH, recrutadores, aprovados em processos concorridos, além de ter prestado dezenas de processos para ver tudo na prática. Fora isso, posso garantir que é o melhor conteúdo, pois li quase todos os livros disponíveis sobre o assunto.

Além dos livros, recentemente começaram a surgir alguns cursos sobre processos seletivos para trainee. Como quero ter certeza que sempre terei o melhor conteúdo no meu livro, assim que vejo um novo curso sobre o assunto eu vou fazê-lo.

Com isso em mente, acabei fazendo um curso que custou $400 e digo: Não tinha nada que chegava perto do grau de profundidade e das dicas práticas que damos no O Livro Negro dos Estágios, contudo, o curso valeu o investimento, por uma única coisa: Nele foi indicado um livro que valeria todos os $400 por si só.

Esse livro, chama-se A Idade Decisiva: Descubra porque a fase dos 20 aos 30 anos vai definir seu futuro e como tirar o melhor proveito dela e foi escrito por uma psicóloga Ph.D especialista em jovens nessa faixa entre 20 e 30 anos.

Ano passado li 100 livros e te digo que, mesmo lendo muito, considerei esse o livro mais importante que li nos últimos anos.

O livro foi tão impactante que decidi escrever esse texto sobre seus principais insights, porém já adianto: O texto está com 4.000 palavras, nenhuma figura e você vai acabar de ler se sentindo mal com o tapa na cara que vai levar. Contudo, se chegar ao fim dele, tenho certeza que estará muito mais próximo de uma vida feliz e realizada no futuro.

 

 

Os 30 são os novos 20 – Ou os Anos de Odisséia

Creio que quase todos já ouviram dos seus pais, avós ou tios a célebre frase: “Na sua idade eu já trabalhava” ou “Com 14 anos eu já tava vendendo os doces da minha mãe na rua” ou qualquer equivalente disso.

Sim, isso irrita um pouco, afinal os tempos mudaram. Graças a diversas mudanças, como a entrada da mulher no mercado de trabalho, a popularização das universidades, o aumento na expectativa de vida e o advento dos métodos anticoncepcionais, hoje geralmente entramos no mercado de trabalho mais tarde.

Não é incomum (na verdade é quase a regra, caso seja de uma classe social mais alta), entrar no mercado de trabalho apenas depois dos 25, isso se não acabar engatando diversos cursos e for começar a trabalhar apenas aos 30.

Mesmo quando começamos a trabalhar antes, muitas vezes o trabalho não é levado tão a sério.

De todos os lados nós, jovens, somos bombardeados por estímulos que nos dizem coisas como:

  • Aproveitem enquanto são novos!
  • A Faculdade é a melhor parte da sua vida.
  • Deixa pra casar e ter filhos depois, você é muito novo pra isso.
  • Se não fizer agora, nunca mais vai fazer, aproveite!
  • Larga tudo e vai viajar

Isso fez com que os 30 se tornassem os novos 20. Como assim?

Antigamente com 20 anos nossos pais ou avós já trabalhavam, casavam, sustentavam a casa e estavam dando entrada na casa própria. A nossa geração começa a fazer isso somente lá pelos 30! Isso é devido a todos os fatores que mencionei e alguns outros.

Os 20 e poucos se tornaram Os Anos de Odisséia, ou seja, uma idade de perambular pela vida e curtir adoidado, no melhor estilo American Pie.

 

O Adiamento da Responsabilidade (e das Escolhas)

Isso, a primeira vista, é uma tentativa de adiarmos responsabilidades. Afinal, com responsabilidades vêm obrigações, ou seja, temos que começar a fazer coisas que não queremos – E o que queremos é curtir a vida.

Contudo, acho que não queremos adiar só a responsabilidade, queremos adiar nossas escolhas!

Explico melhor: Imaginamos que não fazendo decisões agoras, todas as possibilidades continuarão abertas aos 30 e que até lá teremos mais maturidade pra decidir o que queremos.

Criamos uma expectativa imensa de que precisamos ter um trabalho divertido, gratificante, que ajude o mundo e que nos encha de felicidade, além de nos deixar ricos. Contudo, esse trabalho perfeito não existe. Todo o trabalho terá, cedo ou tarde, seus momentos chatos, seus chefes incompetentes, um salário que não parece justo ou algo desalinhado com sua filosofia de vida.

Adiamos e adiamos nossas decisões esperando nos autoconhecer plenamente a ponto de termos certeza do que queremos.

Já escrevi sobre como a busca por uma carreira com propósito e que nos satisfaça se tornou uma obsessão para o jovem de classe média da geração Y (leia aqui o texto: Y’s: Uma geração mimada que precisa salvar o mundo).

Mas, não percebemos que não tomar nenhum decisão, também é uma decisão.

Não tomar uma decisão hoje, seja em relação ao lado profissional ou pessoal, é como passar uma conta no cartão de crédito. Uma hora a conta chega e você tem que pagar… Com juros.

O resultado é que chegamos aos 30 com uma pressão enorme: casar, ganhar dinheiro, escolher uma cidade (ou país) para morar, comprar uma casa, fazer uma pós graduação, abrir um negócio, ser promovido, ter filhos.

Já reparou que aos 20 a maioria dos jovens adora sair sem com outras pessoas sem se preocupar com namoros ou relacionamentos sérios? Mas, que aos 30 parece que “do nada” começamos a ficar desesperados (principalmente as mulheres) e fazer as contas do tipo “com quantos anos preciso casar para ter filhos” – Lembre-se que depois dos 35 a fertilidade da mulher começa a cair drasticamente.

Aos 20 e poucos é uma delícia largar tudo e ir mochilar por aí e está tudo ok ter um emprego numa cafeteria. Mas quando você chega aos 30 e começa a ver seus colegas de classe com bons empregos, parece que “do nada” surge um senso de urgência para construir uma profissão.

Pois é… essas sensações não vêm “do nada”, é a conta do cartão de crédito chegando. As consequências dos gastos e escolhas (ou falta da capacidade de escolher) emergem, como que por mágica, quando cruzamos a linha dos 30.

Meg Jay, a autora do livro que citei, diz o seguinte:

Os 30 até podem se passar pelos novos 20, mas os 40 e 50 com certeza não são os novos 30.

Seja porque seu corpo começa a não aguentar a rotina de antes, seja porque a necessidade de se sustentar bate a porta, afinal seus pais já terão se aposentado e não ganharão tão bem quanto antes (além de estarem de saco cheio de te sustentar).

Assim surge uma nova crise de meia idade aos 30 anos.

 

20 e poucos, a idade decisiva

Meg Jay sugere que os 20 e poucos é um período único, um ponto de inflexão que vai influenciar todo o nosso futuro. Aos 20 pequenas mudanças podem impactar radicalmente aonde iremos parar no futuro.

Se não acredita, pense nos juros compostos. Já mostrei nesse texto sobre como comecei a investir, o poder dos juros compostos. Mas retomo a parte que interessa aqui: Se você investisse $10.000 reais aos 20 anos, com juros de 14% ao ano, você chegaria aos 60 com exatamente $1.888.835,14 – Isso, você não leu errado, são quase 2 milhões.

Tá, mas eu posso muito bem começar a guardar aos 30, né? Vamos fazer as contas. Usando a mesma taxa de juros e os mesmos $10.000, você chegaria aos 60 com $509mil. Se guardar só aos 40, chegará aos 60 com apenas $137mil.

É, creio que deu para perceber um pouquinho o impacto que os juros compostos podem ter nas suas finanças. É muito diferente investir $10.000 aos 20, de investir $10.000 aos 30 ou aos 40.

Agora, expanda essa mentalidade de juros compostos para todas as áreas da sua vida. Uma ação tomada aos 20 tem potencial para ser muuuuuito mais impactante pro resto da sua vida, que a mesma ação tomada aos 30. Os juros compostos vão se aplicar a praticamente todas as áreas.

Agora vamos extrapolar esse pensamento do financeiro para a carreira.

Você pode optar por começar a ter um emprego sério aos 20 ou aos 30 – entenda sério como aquele que te permite crescer na carreira e/ou te traz experiências significativas que vão te ajuda no futuro.

Cenário tomando decisão aos 20: Imaginemos o Fulaninho, ele provavelmente está na faculdade e entrará como estagiário em alguma multinacional, afinal é mais fácil conseguir um estágio que um emprego CLT (lembre-se que empresa não paga imposto sobre estagiário e vai te pagar apenas $1.500 pra fazer o trabalho que um analista faria e que teria um custo de, pelo menos, uns $6.000)

Fulaninho se forma e continua na empresa, vai completar 10 anos de casa, crescer na carreira, ser promovido e chegará aos 30 como um analista sênior. Um analista sênior recebe no Brasil, em média, $4.500, mas isso é contando várias empresas meia boca. Em uma boa multinacional, você estará recebendo entre $7.000  e $8.000 sem maiores dificuldades – Se quiser pesquisar mais sobe salários veja o site Love Mondays.

E perceba que aqui não estou falando de jovens ambiciosos que querem crescer muito, e chegar a gerente aos 30 ou que já entram como trainees em empresas. Estou falando do jovem mediano que, simplesmente, optou por começar a carreira mais cedo, conseguiu um emprego razoável, fez o básico e chegou aos 30 anos com uma renda de uns $7.000.

Cenário tomando decisão aos 30: Ok, agora imaginemos outro personagem, o Joãozinho, que decidiu curtir a vida, mochilar um monte, festar e acabou atrasando a faculdade e se formando lá pelos 27 anos sem nenhum estágio ou experiência relevante no currículo.

Não precisa ser muito inteligente para entender que uma boa empresa vai preferir contratar um estagiário, como o Fulaninho do exemplo anterior, e pagar $1.5000 pra ele, do que ter um custo de uns $6.000 com Joãozinho. Afinal, se os 2 não possuem muita experiência, a empresa vai pegar o mais barato.

Joãozinho vai passar meses procurando emprego e, provavelmente, não vai conseguir nenhum que seja relevante para ele. Como a necessidade de se sustentar está apertando, irá aceitar um emprego mais ou menos, ou iniciar um mestrado e ganhar uma bolsa do governo de $1.500.

Joãozinho entrou em um gap, um buraco negro, que ocorre com quem não aproveita o período da universidade para se capacitar. Ele vai pagar por isso o resto da vida.

Lembra dos juros compostos? Enquanto Fulaninho será um coordenador ou gerente aos 40 (sem muito esforço), Joãozinho provavelmente estará fadado à um emprego mais ou menos o resto da vida.

Pois é, parece que Meg Jay estava certa e, de fato, os 20 e poucos são a idade decisiva.

OBS: Não estou dizendo que você não pode dar uma guinada na sua vida depois dos 30, temos inúmeros exemplos, mas eles continuam sendo a exceção à regra.

 

Erik Erikson e o Capital de Identidade

Erik Erikson, um famoso psicanalista, diz que o jovem deve construir o que ele chama de Capital de Identidade. Vou explicar:

 CAPITAL DE IDENTIDADE é a nossa coleção de bens pessoais . É o repertório de recursos individuais que reunimos com o tempo. Investimentos em nós mesmos, as coisas que fazemos muito bem, ou por muito tempo, que se tornam parte de quem somos. Uma parte vai para currículos, outra é mais pessoal. É como construimos a nós mesmos parte por parte ao longo do tempo. Mais importante, ele é o que levamos ao mercado adulto. É a moeda que usamos metaforicamente para comprar empregos, relacionamentos e outras coisas que quisermos.

Além do Capital de Identidade, o jovem passa por CRISES DE IDENTIDADE e, para Erikson, isso é inevitável aos 20 e poucos, todos passamos por crises – ou deveríamos passar. Isso faz com que queiramos fugir, tirar um tempo pra refletir, participar de cursos de autoconhecimento e retiros de yoga e meditação, viajar, ter conversar reflexivas com os amigos. E ok, isso não só é normal como é necessário. Essas crises nos ajudam a nos conhecermos e buscarmos uma vida com mais significado e felicidade.

Uma vida que é só construção de capital e trabalho, será uma vida rígida, convencional, sem graça e provavelmente infeliz.

No entanto, alguns jovens acham que a Crise é para agora e o Capital para depois, enquanto, na verdade, eles podem – e devem – ocorrerem juntos. Uma vida que é só crise e busca de identidade deixa de ser algo saudável e causa uma confusão despropositada e um peso gigante conforme envelhecemos e não descobrimos a chave definitiva da felicidade. E, o pior, o jovem que se perde nessas crises de identidade está perdendo um momento mágico dos 20 e poucos, que pode ter um impacto gigantesco na sua vida futura. O jovem corre o risco de se tornar irrelevante.

Em resumo: Aos 20 devemos aproveitar, explorar o mundo e nosso interior, mas também devemos fazer escolhas e assumir compromissos que nos permitam construir capital de identidade.

SONHO grande   VS   sonho GRANDE

A Fundação Estudar, fundada pelo maior trio de empresários do Brasil, conduziu uma pesquisa para descobrir o que leva alguém a ter sucesso na carreira e chegaram em um grupo de 6 valores. Um desses valores é o tal do Sonho Grande, que virou até nome de livro.

Contudo, acho que existe uma confusão sobre o que é o tal do sonho grande, afinal ele pode ter 2 significados distintos.

Vou começar com o SONHO grande. A ênfase aqui está no Sonho, ou seja, o importante é ter um sonho, em outras palavras, um propósito, algo que você deseja perseguir pelo resto da sua vida. Com o perdão da palavra, mas que caralho! Como esperam que eu vá saber o que eu quero da minha vida aos 18 anos quando entro na faculdade ou aos 20 e poucos quando me formo?

“Não é normal saber o que queremos. É uma realização psicológica rara e difícil” – Abraham Maslow

Concordo com Maslow, um pequeno grupo de pessoas privilegiadas, sabe o que quer pro resto da vida nessa idade. No entanto, a grande maioria não sabe e nem vai saber e eu te dou motivos pra isso:

  • A tecnologia evolui de modo exponencial e nossa mente só pensa de modo linear. Existem diversos estudos sérios que dizem que mais da metade das profissões que existem hoje não existirão no futuro. Como irei escolher uma carreira se minha carreira pode se extinguir? Como irei escolher um propósito de vida se ele pode nem fazer sentido daqui a 20 anos? O mundo está mudando muito mais rápido do que conseguimos prever.
  • Praticamente ninguém que eu conheço (e pense no seu círculo de conhecidos também) realmente sabia o que queria fazer quando se formou. O que as pessoas estão fazendo agora, na maioria dos casos, é algo que nunca imaginaram ou nem tinham ouvido falar na faculdade. Pensa nos youtubers da vida ou pessoal que trabalha com redes sociais e se formou há mais de 10 anos.
  • Quem chegou longe na carreira também não fazia ideia do que fazer da vida. Uma série de acontecimentos fez com que ele seguisse determinada direção e chegasse onde chegou – Comece a ler biografias e veja se as pessoas sabiam o que queriam aos 20 e poucos.
  • Nossos gostos e preferências vão mudando conforme vivemos novas experiências.
  • Várias pesquisas indicam que no futuro o normal será termos 2 profissões totalmente diferentes. Uma até uns 50 anos e outra depois disso. Afinal, quem começou cedo, aos 50 já terá passado por todos os desafios da carreira e conquistado o que desejava. E como essa pessoa gosta de trabalhar vai acabar arranjando algo novo pra fazer, seja começar a participar de ONGs, iniciar outra faculdade, empreender, etc.

O pior de tudo é que essa ênfase em descobrir seu Sonho cria uma pressão enorme no jovem para encontrar para encontrar seu propósito de vida mas, como ele não acha, ele acaba paralisado diante de um mundo de possibilidades. O jovem não consegue decidir qual é o seu sonho e decide simplesmente ir levando a vida e deixando a escolha para depois. Contudo, já vimos o como isso pode ser prejudicial.

E, se tivesse que arriscar, diria que esse jovem chegará aos 30 sem ter descoberto seu sonho. Sabe por que? Porque só descobrimos se gostamos de algo quando de fato colocamos a mão na massa e experimentamos! Não sabemos se gostamos de um alimento só olhando-o, podemos até imaginar, mas só saberemos de verdade quando experimentar. E essa pessoa, que já não será tão jovem, chegará aos 30 sem ter experimentado muita coisa, já que ficou paralisado buscando seu sonho.

 

A segunda maneira de entender o sonho grande é lê-lo com ênfase no grande, ou seja: Sonho GRANDE.

Aqui o foco está no grande. Isso quer dizer, no pensar grande, no ter ambição, no querer conquistar e construir coisas relevantes.

Agora, o que você acha que acontece com quem pensa grande e sonha grande? Essa pessoa está sedenta por conquistar coisas significativas e, consequentemente, vai começar a fazer isso cedo.

Logicamente que ele provavelmente vai errar um monte. Vai começar a montar um negócio ou revender produtos aos 18 pra juntar grana e vai quebrar. Aos 20 vai estagiar em uma multinacional, vai até receber proposta pra ser efetivado, mas vai perceber que não é o que ele quer e vai sair. Aos 22 vai tentar um emprego em um setor diferente e talvez se ache, ou talvez não e vai arriscar entrar na política aos 24.

Aos 25 esse jovem terá vivenciado várias experiências e terá construído o tal Capital de Identidade.

Quem você acha que terá uma vida mais significativa e feliz aos 30 e 40 anos? Quem teve SONHO grande ou quem teve sonho GRANDE?

Se tivesse que te dar um conselho seria: Faça desde cedo, experimente coisas novas. Não dá pra ficar só refletindo sobre a vida. A única forma de se descobrir o que se quer é fazendo algo!

 

O que faço agora?

Tá, te fiz ler quase 3.000 palavras até agora e ferrei sua cabeça. Te deixei mais perdido do que estava no começo do texto. Então, apesar de deixar o texto mais longo ainda, decidi incluir essa última parte com alguns COMOS.

1º Como: O primeiro como é esquecer a pergunta idiota que diz: Para descobrir o que quer se imagine ganhando na loteria, como se dinheiro não fosse uma preocupação. Essa pergunta é enganosa e te faz pensar que dinheiro e talento não importam, mas importam!

De acordo com Meg Jay, a pergunta que os jovens deveriam fazer é:  O que você seria capaz de fazer suficientemente bem para sustentar a vida que deseja? E o que você curtiria o bastante para não se importar em trabalhar naquilo de uma forma ou de outra ao longo de anos?

2º Como: Entenda que suas possibilidades são limitadas.

Pensamos que temos infinitas possibilidades de escolha, que podemos ser o que quisermos da vida. Esse pensamento te paralisa, como escolher algo no meio de tantas possibilidades? Mais escolhas implicam em menor liberdade, uma vez que você não consegue tomar uma decisão.

Além de te paralisar esse pensamento é falso! Ele assume que tudo o que vivemos nos últimos 20 ou 25 anos não importa, mas importa! Uma parte importante do processo de escolha é perceber que não temos opções ilimitadas, mas sim umas meia dúzia.

Passamos duas décadas moldando quem somos, temos experiências, interesses, forças, fraquezas, diplomas, preocupações e prioridades. Não saltamos neste momento no planeta, os últimos 25 anos são relevantes! Você não está na frente de um oceano de possibilidades, você está diante de umas meia dúzia, e diria que sabe razoavelmente bem qual gostaria de arriscar primeiro.

Somos prisioneiros do excesso de possibilidade que achamos que temos. Quando tomamos uma decisão e optamos por um caminho, acabamos nos libertando e nos permitindo viver novas experiências. Temos que agir! Apenas nos debater não nos levará a lugar algum.

3º Como: Não se subestime, alguns jovens ficam se subestimando e não arriscam irem atrás do que sabem que querem, pois acham que não é pra eles. Se jogue!

Por outro lado, alguns jovens superestimam sua capacidade e ficam idealizando o que podem construir sem colocar a mão na massa. Como li em um texto uma vez, somos a geração que tudo idealiza e nada realiza. Pare de fazer textão e comece a agir!

4º Como: Saia do seu círculo de amigos próximos e vá conhecer pessoas de círculos mais distantes. Essas pessoas são chamadas de Laços Fracos e vão te ajudar a abrir sua mente e enxergar o mundo de maneira diferente, além de te ajudar a construir networking enquanto expande sua visão de mundo.

5º Como: Mande a Tirania dos Deverias à merda!

Somos bombardeados o tempo todo por deverias… A vida deveria ser perfeita, o trabalho deveria ser legal, eu deveria viajar, eu deveria ter um propósito de vida, eu deveria viver meu próprio comer, rezar e amar.

Esquecemos que esses deverias são externos e vêm da realidade de outras pessoas diferentes de nós. Pessoas escrevem textos sobre “largar tudo pra viajar”, e nos sentimos na obrigação de fazer isso, mas esquecemos que temos um background e condições financeiras diferentes do autor do texto. Por sinal, a autora do “Comer, Rezar e Amar” já escrevia e ganhava seus milhares de dólares antes de largar tudo para viajar.

6º Como: Faça uma linha do tempo do futuro.

Aos 20 tudo parece distante… Tudo bem se eu me atrasar pra formar… Tudo bem se eu só sair com todo mundo e pensar só lá na frente em ter um relacionamento sério… Tudo bem gastar tudo que eu ganho… Tudo bem se eu só comer porcaria e não me exercitar.

É do caralho essa idade, a gente pode fazer tudo! Ou melhor, pode deixar tudo pra depois.

O problema é que tudo parece tão distante e que teremos todo o tempo do mundo, que não percebemos que um dia tudo isso vai chegar de uma vez.

Se imagine com seus 28 anos e que até agora viveu a vida adoidado, mas você tem suas ambições para o futuro. Você quer um bom emprego, quer fazer uma pós, quer casar e ter filhos, quer empreender, quer ver seus netos nascerem e crescerem. Já que tudo isso parece tão distante, vamos desenha uma linha do tempo do futuro e tentar encaixar tudo o que queremos?

Com que idade você vai iniciar sua pós? Uns 31?

E ter filhos? Lembre-se que depois dos 35 as gravidez começam a ficar de risco. Vamos falar 34 então.

Ah, mas antes de ter filhos você quer casar? Com quantos anos? 32? Então você vai começar a pensar na festa e gastar todo esse dinheiro enquanto estiver fazendo sua pós?

Esquecemos do “arranjar um bom emprego”. Isso tem que ser antes de ter os filhos, não? Vai acontecer junto com a sua pós graduação, aos 31?

Empreender pode ser mais tarde, depois que acabar a pós graduação e tiver vivenciado uma boa experiência profissional, afinal você estará mais experiente, né? Uns 38? Opa, mas você vai largar seu emprego para empreender enquanto seu filho depende totalmente de você? E se der tudo errado, como você vai sustentá-lo?

Ah, mas os netos ainda estão longe! Vou ter meus filhos com 34, eles por sua vez provavelmente vão ter os filhos deles com uns 35 também. Quando seus netos nascerem então você terá 70 anos. É, talvez não sobre tanta energia para brincar com eles e nem muitas primaveras para chegar a vê-los se formar na faculdade.

Esse exercício assusta. Quando realizei-o pela primeira vez quase caí pra trás. O senso de urgência (e o desespero) bateram. Recomendo que faça esse exercício da linha do tempo do futuro, tentando encaixar tudo que deseja conquistar. Você vai ver como as coisas não estão tão longe quanto parecem e que suas escolhas hoje vão ter um impacto enorme na sua vida futura.

 

Bom meu amigo, espero que você que esteja lendo esse texto tenha uns 21 ou 22 anos. Eu só fui ler o livro que me gerou esses insights aos 25 e acho que foi bem tarde. Achei-o tão importante pro meu futuro que resolvi escrever esse texto para compartilhar esses insights com todos.

Ah, e se você está nos seus 28 ou 29, fica tranquilo, que só de ter lido um texto de 4.000 palavras, eu chutaria que você já está se preparando para os 30 melhor do que muita gente.

Grande abraço e um futuro brilhante para todos!

 

– Gabriel Vinholi


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