Quantas vezes você já se viu frente a frente com uma situação na qual tinha que tomar uma decisão, mas não importa o quanto refletisse, você simplesmente não chegava a uma resposta que era a melhor resposta?

Existem várias linhas de pesquisa que nos ajudam a tomar melhores decisões. Deve fazer uns 3 anos que venho me interessando pelo tema de como tomar boas decisões, mas nos últimos meses me aprofundei bastante no assunto devido ao fato de ter a responsabilidade por desenvolver o conteúdo do Carreira Na Prática, o curso de decisão de carreira da Fundação Estudar.

Para falar sobre tomada de decisão primeiro precisamos distinguir entre os dois possíveis tipos de problemas que exigem uma decisão:

Problemas Simples: São problemas que possuem uma solução ótima ou maximizada. Talvez não sejam tão simples de resolver, mas sabemos que ele possui uma resposta ótima. Geralmente conseguimos resolvê-los instantaneamente ou, caso sejam complexos, usamos métodos matemáticos, principalmente os estudados pelo campo da Pesquisa Operacional.

Problemas Difíceis: esses são aqueles que, não importa o quanto de matemática coloquemos ou quantos métodos usemos, simplesmente não conseguiremos chegar na melhor resposta, pois ela simplesmente não existe. Por exemplo, qual carreira devo seguir? Morar no campo ou na cidade? Casar com Maria ou com Sofia? São perguntas que não não importa o quanto reflitamos, simplesmente não acharemos A solução.

Além de não ter uma resposta definitiva, esse tipo de problema difícil causa algumas consequências em quem sem depara com ele: Sentimento de angústia frente ao problema, paralisia que impede a tomada de uma decisão e, após decidido, a sensação que escolhemos errado.

Li, li, li mais, refleti, refleti e refleti mais e ainda assim não cheguei em nenhum método satisfatório para lidar com esse tipo de problema. Entretanto, nas minhas pesquisas acabei me deparando com um TED de uma filósofa chamada Ruth Chang que me ajudou a olhar esse tipo de problema sob uma nova ótica e enxergar outras consequências que eles possuem.

TED da Ruth Chang sobre escolhas difíceis

No fim do dia os problemas difíceis são bons. Eles são bons pois suas outras consequências são: o nosso livre arbítrio, o fato de cada um ser um ser humano único, e até por nos fazer ficar apaixonados de vez em quando. Explico:

Se todos os problemas com os quais nos deparamos fossem simples, ou seja, tivessem uma resposta ótima, poderíamos facilmente ensinar as pessoas a escolherem o que é melhor, o que levaria todos a sempre escolherem as mesmas coisas, todos seríamos iguais, todos seríamos sem graça, todos saberíamos de antemão o que fazer, não haveria livre arbítrio, pois no fundo não haveriam opções, haveria afinal sempre uma única resposta certa. O mundo seria um lugar chato pra cacete.

No entanto, quando nos deparamos com problemas sem solução, por exemplo, se preciso decidir entre ir trabalhar no mercado financeiro ou virar filósofo, ou entre casar com Maria ou com Sofia, é me dado o direito de escolher entre uma alternativa ou outra e a minha decisão será única e irá me diferenciar das outras pessoas que escolheram diferente. Em última análise são os problemas difíceis que nos dão poder de escolha e, consequentemente, livre arbítrio. São esses problemas que nos fazem únicos, são eles que nos diferenciam, que nos tornam mais interessantes aos olhos de uma pessoa ou de outra. Somos marcados e construídos pela somatória de nossas decisões difíceis. Eu me construo e me firmo como um ser humano único cada vez que me deparo com um problema difícil.

Quando entendemos isso a angústia da decisão não desaparece, mas aprendemos a encarar esse tipo de situação com uma plenitude muito maior e com um pouco mais de coragem.

Se ficar na dúvida, se pergunte: A decisão que estou prestes a tomar vai me deixar mais próximo da pessoa que almejo ser?

Grande abraço!

Gabriel Vinholi.