Trabalhei durante algum tempo na Fundação Estudar como o principal responsável pelo LabX, um dos maiores programas de formação de liderança jovem do Brasil, estando presente em 24 estados e em 4 continentes. A Fundação Estudar para quem não sabe foi fundado pelo maior trio de empresário brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira com o objetivo de potencializar jovens talentos.

Na Fundação Estudar tive a oportunidade de conhecer gente muito boa, entre essas pessoas estava o Samuel Carvalho que é um dos bolsistas da Fundação Estudar e que também multiplicou um LabX. Recentemente li um texto dele sobre um encontro com o Marcel Telles e como sou fã do trio e da cultura dos caras não podia deixar de compartilhar com vocês. Segue abaixo o texto do Samuel.

Quem quiser ler mais textos dele e conhecer melhor o seu trabalho ele escreve para o site http://mentedelider.com/

PS: Esse aí da foto é o Samuel, não sou eu não =)


 

 

Olá pessoal,

Em dezembro do ano passado eu participei de um treinamento excelente chamado “Laboratório” oferecido pela Fundação Estudar que teve a participação do Marcel Telles por mais de 2h. Ele respondeu dezenas de perguntas, inclusive algumas minhas, e deu dicas importantes que me fizeram refletir bastante.

Nesse artigo eu compartilho a minha interpretação sobre trechos da conversa com ele. Ou seja, não é necessariamente uma transcrição, e sim algumas anotações e reflexões que tive com base no que ele disse!

Sobre liderança

Liderança é bater metas através de pessoas. Líder precisa recrutar e treinar bem. E manter a equipe com recompensas proporcionais ao talento.

Desafio da liderança: não pode ter medo de correr riscos.

Para pessoas muito boas, não é somente o dinheiro que motiva, mas também o desafio. Muitos poderiam ser empreendedores e não empregados. Por isso tenta dar possibilidades para que esses empreendedores cresçam na empresa (variedade de marcas, tamanho, expansão geográfica etc).

Precisou adaptar e exercer a influência de maneira mais suave na Interbrew, por conta da diferença cultural (e também por não ter o controle). Acabaram “dominando” porque tinham muito mais pessoas preparadas.

“Meu hobbie é trabalhar” – Marcel

Balanço de qualidade de vida é o que as pessoas querem, mas no trabalho quem funciona é o FANÁTICO, aquela pessoa que dá até medo de tão obcecado que é. São essas pessoas fanáticas que ele procura para trabalhar com ele.

Com atletas é assim também, e muito pior. Para ter alto nível, precisa ser fanático. Comentou sobre nadador americano que treinava 365 dias por ano para ser o melhor. Não descansava nos finais de semana, pois era quando ele conseguia se diferenciar dos demais. E ele é feliz! Isso funciona para atletas, músicos, no balé…

Se você não escolhe o que gosta de fazer, nunca vai se realizar.

Quando existe foco, tem muito mais chances de se atingir o objetivo do que quando se está disperso.

Tem o hábito de ser “paranóico”. Ataca 10 problemas onde só teria 2. Mas no fim, acaba também pegando esses 2.

Momentos decisivos na carreira

Observava que quem trabalhava no mercado financeiro andava bem vestido, tinha motos e carrões, por isso decidiu que iria entrar nesse setor. Seu primeiro emprego era da meia noite às seis comprando boletos. Certa vez, ouviu um diretor dizer que deveria mandar todos embora e só manter o 9º andar. Por isso, foi entender o que aquele andar tinha de especial para tentar trabalhar lá. Ouviu falar que o Open Market era o local bom e se esforçou para entrar nessa área. Ofereceram uma posição diferente da que esperava e foi procurar em outra empresa. Dessa maneira que chegou no Garantia. “Cair no Garantia com o Jorge e o Beto foi pura sorte”.

Seu pai dizia: Na vida vai passar um cavalo selado e será a hora de montar nele. Tem que ter paciencia e estar no lugar certo para aproveitar a oportunidade. O cavalo selado foi saber que valia a pena ficar no Garantia, antes de ter o sucesso que teve.

Sobre as transformações no mercado

Preocupação grande em lidar com a disrupção sem ser “disruptado”. Por indicação do Nizan, realizou um curso de 1 semana na Singularity University e ficou impressionado.

Todo setor “bobão”, paquiderme, vai mudar drasticamente, não somente a área de TI. Hoje, qualquer jovem com uma boa ideia pode acabar com uma indústria inteira.

Citou a unidade de negócios da Ambev no Vale do Silício, que tem autonomia para testar novas coisas. Comentou sobre a dificuldade de alguma empresa causar disrupção no seu próprio modelo de negócios e que, por isso, a disrupção acaba vindo de fora, de startups.

Comentou sobre um Tech Lab, um local que tem tudo o que precisa para se construir um protótipo e que pode ser alugado por hora.

Falou sobre uma startup americana que consegue exames de sangue a um custo baixíssimo, usando somente gotinhas de sangue.

Se tivesse talento, gostaria de estar no mundo digital. Entrou para o mercado financeiro quando ele estava no começo. Agora isso mudou e o momento é do mercado de tecnologia.

Estilo Ambev

Tudo tem que ter um dono com o c* na reta. E pessoas com o sonho grande.

Reuniões no final de semana são boas pois, se o assunto não for importante, as pessoas vão cancelar.

“Gaste sola de sapato.” – Marcel

Sonho grande precisa ser constantemente renovado. E tem que ter meta, senão não se torna realidade.

Pessoas são importantes. Nas suas empresas, os principais executivos são quem vão nas universidades recrutar jovens potenciais. Não delegam para o RH.

98% de atingimento de meta não existe. Se todo mundo atinge a meta, é porque a meta não é boa.

Sobre integridade

“É burro ser malandro”. Tem tolerância zero à questões éticas. Se alguém for pego roubando, sai algemado, para dar o exemplo. Mesmo que a empresa tome um processo depois! “Malandro é não ser malandro”. Isso corrói a empresa numa velicidade incrível.

É complicado andar na linha cinzenta entre o certo e o errado. O lado obscuro da força é tentador, o poder é tentador. Melhor fugir dessa linha cinzenta para não ouvir o canto da sereia. Dá pra ter um bom negócio sem “pular para o lado de lá”.

Outros conselhos práticos

Na pesca submarina, o principal segredo para pegar peixe grande é estar na água. Você vai ver os peixinhos e em algum momento vai passar o peixe grande. Ou seja, para aproveitar as oportunidades você precisa “entrar no mar”, quem assiste de fora não pega nada.

“A primeira perda é o primeiro ganho”: importante ficar com a cabeça livre para pensar em outras coisas.

“Não se segura faca caindo”: espera cair para ver o que acontece, só depois toma alguma atitude.

“Never give up” – Wiston Churchill