O que vi na Indonésia e como isso se compara ao Brasil

Recentemente viajei para Bali, na Indonésia. Para quem não sabe a Indonésia é basicamente um agrupado de várias ilhas, entre elas a mais famosa, pelo menos para turismo, é sem dúvida Bali o destino paradisíaco para mochileiros e casais em lua de mel.

A Indonésia não é um país pobre, possui o 16º maior PIB do mundo estando a frente de países como Suíça, Argentina e Suécia, sendo o 5ª país mais rico da Ásia. Porém ainda está longe de ser considerado um país desenvolvido, nesse aspecto podemos compará-la ao Brasil que tem a 9ª maior economia do mundo, mas também está distante de ser um país de primeiro mundo.

No  semana que passei em Bali reparei algumas coisas que gostaria de compartilhar com vocês:

1. Bali é riquíssima em belezas naturais

Bali possui diversas atrações turísticas que vão desde praias até vulcões, passando por diversos parques. Uma paisagem mais bela que a outra e sem dúvida um ótimo lugar para viajar e conhecer, até aqui não muito diferente do Brasil.

Outro ponto positivo da Indonésia é que eles tem o café que é considerado o melhor do mundo, o que torna o país parada essencial para apreciadores da nossa amada fonte de cafeína diária. O famoso Kopi Luwak Coffee é aquele mesmo que aparece no filme “Antes de Partir” e que o grão de café é comido por um bichinho que o digere. Sim, o café é feito com esse grão que o bicho “cagou”.

Copi Luwak coffee gabriel vinholi

Sua vida é perfeita com um copo de Luwak Coffee =)

Contudo, além do café e das tantas belezas naturais outras coisas me chamaram a atenção e gostaria de compartilhar com vocês:

 

2. Todos os moradores locais falam inglês!

Isso se aplica a Bali e não a toda a Indonésia, mas me chamou muito a atenção. Diferente do Brasil que a grande maioria das pessoas que recepcionam turistas tem um inglês deplorável em Bali TODO MUNDO fala inglês.

Procurando entender o por que disso não demorei a perceber que Bali é uma ilha que vive essencialmente de turismo, ou seja, ou você fala inglês para se comunicar com os gringos e ganhar em dólar ou você vai ter que se contentar com um ganho muito menor.

O inglês é tão importante que as crianças são levadas para treinar com os gringos. Um dia estava na praia quando vi uma concentração anormal de crianças e adolescentes. Uma menina para na minha frente e me pede para responder algumas perguntas bem simples em inglês. Quando ela acabou perguntei para que era aquilo e por que tanta gente jovem reunida. Ela me respondeu que eles estavam lá com um grupo da escola para praticar o inglês.

O inglês é tão essencial que eles realmente levam a sério o aprendizado da língua, diferente do nosso Brasil.

Guarda o inglês na cabeça que já volto pra ele.

 

3. Só Gente de Primeiro Mundo Viajando

Em outras viagens já havia reparado algo que me chamou a atenção. Nessas viagens sempre tem muuuuuito jovem europeu e alguns canadenses e australianos.

Quando fui com uma excursão para o Outback Australiano (o deserto no meio da Austrália), na nossa excursão eramos 4 brasileiros e 12 europeus. Em Bali não foi diferente, no meu hostel só europeu e uns canadenses e australianos.

É de se esperar que tenha mais gente de países desenvolvidos, afinal eles tem um moeda mais forte, o que facilita viagens internacionais.  Contudo há outras coisas que influenciam para que isso aconteça.

 

3.1 Passaporte Forte e Salário Mínimo Alto

Europeus geralmente possuem mais facilidade para entrar em vários países com o passaporte deles e em alguns até podem trabalhar. Por exemplo, conheci um italiano e uma alemã que moravam na Austrália, trabalhavam fazendo serviços de “labour“, que nada mais é que serviço como garçom, lavar louça, limpeza, etc.  Juntavam grana em dólar, viajavam pela Ásia, voltavam para a Austrália, trabalhavam mais e viajavam mais. Isso graças a uma parceria que a Austrália tem com vários países da Europa e que permite que europeus trabalhem aqui por até dois anos.

Algo que me chama a atenção é que para esses jovens de primeiro mundo viajando não existe vergonha alguma em trabalhar de labour. É um trabalho que paga bem no primeiro mundo, permite que eles trabalhem sem formação profissional e é relativamente fácil de conseguir.

Para você ter ideia o salário mínimo da Austrália é $17 dólares por hora.

 

3.2 Gap Year

Para eles é muito comum tirarem um “gap year” antes de começar, ou durante, a universidade para viajar o mundo. Isso faz parte da experiência cultural deles e do amadurecimento como cidadão do mundo.

Costume esse muito bom, afinal viajar assim realmente pode ser uma mega experiência, ainda mais quando você é novo, o que te força a amadurecer muito mais rápido e a te abrir a mente para o diferente.

Outra coisa que me chamou muita atenção nas minhas viagens é que conheci meninas com menos de 20 anos viajando sozinhas. Novamente não tive como não pensar no Brasil, onde tivemos um caso de um delegado falar que é culpa da mulher se decidir viajar sozinha e for estuprada/roubada…

Tem como falar que o Brasil está pronto para receber eventos de níveis mundiais como olimpíadas?

É incrível pensar que vivemos cercados por uma cultura de medo. Meus pais por exemplo não deixaram minha irmão fazer faculdade em uma cidade vizinha a deles por medo de acontecer algo a ela. Enquanto isso os europeus viajam o mundo assim que fazem 18 anos. A culpa não é dos meus pais, eles tentam proteger a filha da selva que o Brasil está se tornando.

É incrível quando você viaja para um país de primeiro mundo e vê que essas preocupações não existem por aqui, o que deixa os pais mais confortáveis para deixar os filhos viajarem e explorarem o mundo.

Não preciso nem dizer o quanto isso contribui para eles continuarem anos a frente da gente. Afinal enquanto minha irmã não pode fazer uma faculdade melhor na cidade ao lado, os europeus viajam o mundo, expandem a mente e treinam o inglês e outras línguas.

OBS: Me referi ao primeiro mundo mas lembre-se que estávamos na Indonésia, país ainda em desenvolvimentl. Lá é terceiro mundo e tem sim seus problemas, mas ainda sim o Brasil está muito longe da Indonésia no quesito segurança.

 

3.3 A Europa ta Fu****, mas eles tem planejamento financeiro

Outra coisa que meu conhecido italiano comentou é que ele estava viajando porque a situação de desemprego entre jovens na Itália, e na Europa como um todo, estava bem feia. Ele falava que não conseguia nada por lá, enquanto na Austrália conseguia um emprego fácil de labour que pagava bem.

Mas pera, algo não bate. Como eles viajam o mundo se estavam desempregos e sem dinheiro?

É porque eles tem uma coisa, que novamente falta aos brasileiros, chamada Planejamento Financeiro. Não estou falando que eles são os caras que mais sabem poupar e investir no mundo, mas eles fazem o básico que é ter reserva de emergência. Quando ficam desempregos não ficam desesperados e aproveitam esse tempo para viajar ou engatar uma pós graduação. Lógico que também devemos mencionar que eles tem um “seguro desemprego” bem mais gordo que a gente e em euro, mas ainda assim o planejamento financeiro se faz presente.

OBS: Se quer começar a aprender como investir da uma lida nesse texto.

 

4. Inglês, a língua do mundo.

Falei que iriamos voltar ao inglês =)

Em uma das noites no hostel saí com um grupo de conhecidos para um barzinho que tocava um reggae e começamos a conversar. No meio da conversa que fomos perceber que estávamos em 6 em uma mesa, cada um de um país, sendo: Brasil, Itália, Bangladesh, Alemanha, Holanda e França.

Obviamente que o papo estava sendo em inglês.

Agora eu te pergunto, e se eu não soubesse inglês? Ficaria isolado no meu cantinho no hostel.

Hoje o mundo fala inglês, você vai precisar dele pra viajar o mundo, para estudar nas melhores universidades e para trabalhar em países que pagam em dólar e euro.

Quando comentei que no Brasil não é comum as pessoas saberem falar inglês eles me olharam estranho, como se isso fosse uma anomalia (e é!). Logo perguntaram “Mas vocês não têm inglês na escola?”. A hora que eu respondo que temos e ainda assim não aprendemos a reação foi mais espantosa ainda.

Sim, mais um pontinho negativo pro nosso Brasilzão e nosso ensino de fraco de inglês.

OBS: Quem não fala pelo menos o básico do inglês é bom começar a correr atrás do prejuízo.

 

5. Brasil e Indonésia: O Terceiro Mundo Escancarado na Nossa Cara

Até aqui falei bem da Indonésia e sobre como mesmo sendo um país em desenvolvimento seus cidadãos falam inglês e possuem um país mais seguro que o nosso. Contudo terceiro mundo é sempre terceiro mundo, né?

Algo que me chamou a atenção assim que cheguei foi o quanto os lojistas voam em cima de você te oferecendo produtos e serviços, parece a 25 de março em SP, mas ainda pior.

O problema é que além de serem inconvenientes eles querem ganhar em cima de você. Eles não podem ver alguém com aparência de turista que colocam o preço nas alturas. Sem brincadeira, eu não comprava nada sem antes chegar em, no mínimo, metade do preço que o cara me falou.

É óbvio que os produtos não eram caros quando pensamos em moedas fortes, mas é incrível perceber essa tentativa de sempre tirar vantagem, também muito comum no Brasil. Aceitamos isso como se fosse algo normal e que faz parte do dia-a-dia, sem perceber o quão ridículo é isso. É lógico que vez ou outra pode existir uma negociação, mas essa tentativa de tirar vantagem em cima de tudo e colocar um preço maior que o dobro do que seria necessário para já ter uma margem de lucro bem gorda, não, isso não é normal…

Lógico, a culpa não é só dos indonésios ou dos brasileiros. Vivemos em uma sociedade louca onde cada um tem que matar um leão por dia para “garantir o seu”. A pobreza do terceiro mundo cria uma cultura do querer tirar vantagem e do se achar espértão que ganhou em cima do gringo. Vivemos como animais que se dão ao direito de passar em cima do moralmente aceitável na tentativa desesperada de sobreviver e garantir uma vida um pouco melhor para nós.

Só quando viajei para Bali que percebi que na Austrália eu nunca tive que barganhar por nada. Aqui o preço justo é o da etiqueta e é isso.

Minha impressão é que podem existir países com graus de desenvolvimento diferente, mas terceiro mundo sempre vai ter cara de terceiro mundo.

~ Gabriel Vinholi

By |Categories: Investimentos e Economia|0 Comments

About the Author:

Gabriel Vinholi é autor do O Livro Negro dos Estágios e escreve no www.ductu.com.br um site focado no desenvolvimento pessoal e profissional de jovens. Antes disso, trabalhou na Fundação Estudar como responsável pelo LabX, maior programa de desenvolvimento de jovens lideranças do Brasil.

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