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Esse texto é para falar sobre uma frase que ouvi de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira enquanto eles selecionavam alguns dos mais brilhantes jovens do Brasil para fazerem parte do programa de bolsas da Fundação Estudar.

Para quem não sabe esses três (conhecidos como “trio”) são reconhecidos como os maiores empresários brasileiros e tem sua cultura empresarial copiada no mundo todo. Eles são elogiados por algumas das mais brilhantes mentes da administração do nosso tempo, como Warren Buffett e Jim Collins. Isso além de serem fundadores de um dos mais lendários bancos brasileiros, o Garantia, e atualmente serem donos da maior cervejaria do mundo, da Kraft Heinz e Burger King e ainda terem ajudado a construir diversos negócios no Brasil e mundo afora. Da só uma olhada nesse infográfico que a Época fez em 2013 e que de lá pra cá só aumentou – Para ver a imagem ampliada clique no link abaixo da foto.

o virus do garantia

Link para infográfico

O que é mais interessante nisso tudo? É que esses caras aplicam a mesma fórmula desde sempre, a mesma cultura na qual as essências não se alteram desde os tempos em que o Garantia comprou a Brahma. Para provar que não estou mentindo assistam esse vídeo do Marcel Telles falando na formatura da FGV em 1991:

Ele fala de algumas máximas: O óbvio não existe; As coisas dão errado; Tudo tem que ter um dono; Nome é o ativo mais importante; No final tudo se resume a gente; Pense grande; Continue investindo em você mesmo.

Sem brincadeira, eu já devo ter lido todas as reportagens e assistido todos os vídeos que tem alguém do trio falando. Dessas máximas tem duas que sempre estão presentes, de uma forma ou de outra, quando eles falam: uma é o sonhe grande e a outra é que no final tudo se resume a gente.

Por que eu sou tão aficionado por essa dita cultura do trio? Primeiro por que das 10 pessoas mais ricas do Brasil a 1ª é o Lemann e em 3ª e 4ª já vêm o Marcel Telles e o Beto Sicupira. Em segundo lugar porque os caras fizeram todos os gringos olharem para o Brasil e virem copiar o modelo de gestão desses brasileiros. Terceiro porque os caras gostam de alta performance e fazem a meritocracia funcionar de verdade. Quarto, e mais importante, é que eles têm um cultura extremamente simples, sem segredos que seguem regras básicas e óbvias mas que outras empresas esquecem.

Entre uma das coisas mais básicas e óbvias para qualquer empresa dar certo está o fato de que você precisa de gente boa. E esses caras levam isso muito a sério. Eles são reconhecidos por selecionarem os melhores para trabalharem com eles.

Agora imagina juntar esses três caras com mais um monte de gente foda para selecionar jovens com um potencial gigantesco para ganharem bolsas de estudos? Esse é o Programa de Bolsas da Fundação Estudar, que por sinal está com pré inscrições abertas e para quem quiser se pré-inscrever é só clicar aqui.

Os bolsistas escolhidos não só recebem uma bolsa financeira como também mentoria, coach e acesso a uma rede de gente boa para chegarem ainda mais longe. Agora imagina o quanto vale tudo isso?! Não é a toa que ano passado o programa contou com mais de 80.000 inscritos para serem selecionados menos de 30!!! Mais monstruoso que pensar nesse número é pensar no nível desses caras selecionados. Foi numa dessas seleções, mais exatamente na final do programa de bolsas da Fundação Estudar de 2015 que ouvi do Lemann e seus sócios algo que refleti durante muito tempo e que queria compartilhar com vocês nesse texto.


Eu trabalhei na Fundação Estudar como o principal responsável pelo LabX, o maior programa de formação de liderança do país, estando com edições presentes em todos os estados brasileiros e em 4 continentes. O conteúdo do programa é baseado na cultura do trio e no perfil dos bolsistas da Fundação Estudar. Pensando no nível dos bolsistas imagine a qualidade do conteúdo do LabX! Não deixe de participar, sempre tem uma edição perto de você. As inscrições abrem três vezes por ano no site do Na Prática.

No tempo em que trabalhei na Fundação Estudar tive a oportunidade de encontrar o Jorge Paulo Lemann três vezes e uma delas foi justamente na final do programa de bolsas. Agora você imagine que já havíamos filtrados os mais de 80.000 jovens para chegar em menos de 40 que iriam ser escolhidos pessoalmente pelo trio e mais alguns ex-bolsistas. Só tinha gente muito boa nesses 40.

Finalmente iria ver na prática a lendária capacidade do trio em selecionar gente boa. Estava com um caderno na mão para anotar tudo que esses caras falassem. E é aqui o ponto que quero passar para vocês.

Uma das entrevistadas era uma garota que tinha sido aprovada para uma pós graduação numa universidade top dos EUA, já tinha trabalhado em uma grande consultoria e estava indo agora para um banco de investimentos. A menina era monstrona, foi contando a história dela e já tinha feito várias coisas além de passar por lugares que comprovavam sua excelência. Tanto que pensei comigo “Nossa, essa já está aprovada”.

Depois da terminada a entrevista ela saiu da sala quando o Marcel Telles vira para os outro avaliadores e fala: “Essa aí todo mundo concorda que não vamos aprovar né?

Nesse momento entrei em choque e pensei COMO ASSIM???!!!! A menina é mais foda que muita gente muito boa que conheço! E olha que durante os tempos na Fundação Estudar conheci gente muuuuito boa. Voltei a pensar “Ah, não é possível, os outros avaliadores vão discordar do Marcel Telles”.

Só que não. Todos concordaram sem nem pensar duas vezes que ela não deveria ser aprovada!

Pra minha sorte a explicação logo saiu da boca de um dos sócios do BTG Pactual, o maior banco de investimento da América Latina, que também estava avaliando a galera: 

“Eh. Realmente não tem como aprovar. Ela não tem nada de mais, é só mais uma commoditie… Igual ela temos vários no banco”. 

Ao que não demorou para o trio concordar. A discussão não levara 5 segundos e ela estava rejeitada. Passaram para a próxima pessoa a ser avaliada.


Para quem já leu algo sobre ou conviveu com formandos das top universidades dos EUA sabe que a grande maioria está brigando justamente por uma vaga numa McKinsey, Bain, BCG, JP Morgan, Goldman Sachs, Credit Suisse e outros bancos e consultorias reconhecidos internacionalmente. Essas empresas absorvem alguns dos maiores talentos do mundo e são consideradas o topo da cadeia alimentar do mercado de trabalho.

Como que uma menina que tinha passado por empresas desse porte e tinha uma aprovação para uma pós graduação numa das melhores universidades do mundo não iria ser selecionada?

Aqui vale ressaltar que embora trabalhasse na Fundação Estudar ainda estava pensando em sair para ir tentar carreira em uma grande consultoria ou em um banco de investimentos. Quando vi essa cena entrei em parafuso e comecei a pensar sobre isso. “Como assim essa garota no topo do mundo acadêmico e profissional é só mais um commoditie?”. 

Desde que entrei na UFABC (Universidade Federal do ABC) eu comecei uma corrida para chegar ao “topo”, seja lá o que isso significasse. 

Para chegar nesse “topo” sempre me mantive entre os alunos com as maiores notas da universidade; Fundei e fui o presidente da Liga Universitária de Empreendedorismo que ganhou o reconhecimento de melhor liga universitária do Brasil enquanto eu ainda era calouro! Fui vice presidente da Empresa Júnior; Fiz iniciação científica e publiquei em congresso internacional; Participei como embaixador do Movimento Choice; Co-organizei um TEDx; Fui um dos fundadores do primeiro Centro Acadêmico da universidade; Participei do Conselho Universitário e ainda estagiei na Endeavor e na Fundação Estudar — E isso tudo aconteceu nos meus dois primeiros anos de universidade.

Como consequência dessa corrida frenética para chegar no topo eu estava fazendo um trabalho pelo qual eu era apaixonado na Fundação Estudar, tocando o LabX e ajudando a potencializar gente que já era foda, mas com a mente focada em conseguir uma vaga na McKinsey e ter meu mestrado pago em Harvard. Por que? Provavelmente só para ver como era a vista do topo e conhecer gente melhor do que eu.

Depois de refletir bastante entendi algo que é descrito por Peter Thiel, um dos fundados do PayPal, em seu livro “De Zero a Um”:

“E a coisa fica pior quando os estudantes ascendem aos níveis mais altos do torneio. Confiantes, os estudantes de elite escalam até chegar a um nível de competição suficientemente intenso para matar seus sonhos. A educação superior é o lugar onde pessoas que tinham planos grandiosos no ensino médio se atolam em rivalidades ferozes, com colegas igualmente inteligentes, por carreiras convencionais em consultoria empresarial e bancos de investimentos.”

O que o trio e os outros avaliadores estavam buscando ia além de alguém com uma inteligência e uma capacidade de execução fora do normal. Eles buscavam alguém que quisesse construir um legado significativo e causar uma grande impacto positivo no Brasil. Eles queriam além da capacidade de execução, o tal do Sonho Grande. Esse mesmo sonho que geralmente é morto pela competição, pelas universidades e pela mídia que faz com que busquemos o topo apenas por buscar, sem parar para olhar para dentro e nos autoconhecermos.

Seu sonho com certeza pode ser trabalhar numa consultoria ou em um banco de investimentos e estudar me Harvard. Porém, tenha em mente que esse não é o único caminho para o topo e, na verdade, também não é o único topo.

Em tempos de uma busca incessante por produtividade vale a pena tirar um tempo e se perguntar: Qual o MEU sonho grande? Qual é o legado que EU quero deixar para o mundo?

(Aproveitando, deixo a dica que a Fundação Estudar também tem um programa de autoconhecimento e busca por propósito chamado Catálise, para se inscrever é só clicar aqui).


Para você, jovem de alto potencial, fica o questionamento que o Jorge Paulo Lemann e o trio colocaram na minha cabeça naquele dia e na qual penso todos os dias.

Você quer ser só mais uma commoditie?